Dúvida sobre quinhentismo(Questão)


#1

“Senhor:
Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza
a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei
também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que – para o bem
contar e falar – o saiba fazer pior que todos.
Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que
contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem
vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras,
delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.
De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos
ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou
ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os
de Entre-Doiro-e-Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á
nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruito que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve
ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem
feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar
suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto.
Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo
cristãos, porque eles, segundo parece, não têm nem entendem em nenhuma crença.
Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha,
nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse
inhame, que aqui há muito, e dessa semente e fruitos, que a terra e as árvores de si lançam. E
com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e
legumes comemos.
E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco
me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.
Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.
Pero Vaz de Caminha.”
CORTESÃO, Jaime. A carta de Pero Vaz de Caminha. Rio de Janeiro:
Livros de Portugal 1943. p. 199-241. Coleção Clássicos e Contemporâneos.

  1. UnB-DF Evidenciando a leitura compreensiva do texto, julgue os itens abaixo.
    ( ) Diferentemente de outros documentos do século XVI acerca da descoberta do Brasil,
    hoje esquecidos, a carta de Pero Vaz de Caminha continua a ser lida devido à sua importância
    histórica e, também, por conter elementos da função poética da linguagem.
    ( ) A carta de Pero Vaz de Caminha é considerada pela história brasileira o primeiro
    documento publicitário oficial do país.
    ( ) A carta de Caminha é um texto essencialmente descritivo.
    ( ) Pero Vaz de Caminha foi o único português a enviar notícias da descoberta do
    Brasil ao rei de Portugal.
    ( ) Segundo Caminha, os habitantes da Ilha de Vera Cruz eram desavergonhados[

O gabarito dessa questão diz que a primeira alternativa é verdadeira, mas não consigo entender a função poética na carta de Pero Vaz de Caminha, alguém poderia me explicar?


#2

Olá, a carta de Pero Vaz de Caminha descreve o que viu dando um Ideal Salvacionista, além da Nudez dos Indígenas e a Visão do Paraíso. Ele faz referências comparativas com a sua origem que é Portugal, por isso é uma Linguagem Poética. Até porque é bem comum naquela época.

Espero que tenha entendido, é uma boa pergunta também.