IMEPAC Medicina 2014/2 [INTERPRETAÇÃO CONFUSA]


#1

Felicidade e Esperança
É em nome da felicidade que se desenvolve a sociedade de hiperconsumo. A produção
de bens e serviços, os meios de comunicação social, as atividades de lazer, a
educação, o planejamento urbano, tudo é pensado e criado, em princípio, tendo em
vista a nossa felicidade. Nesse contexto, abundam os manuais e métodos para viver
[5]melhor, a televisão e os jornais destilam conselhos sobre saúde e manutenção da
forma, os psiquiatras ajudam os casais e os pais em dificuldades, são cada vez mais os
gurus que prometem a plenitude. Cuidar da alimentação, dormir, seduzir, relaxar, fazer
amor, comunicar com os filhos, mantermo-nos dinâmicos: que esfera escapa ainda à
felicidade? Passamos do mundo fechado ao universo de possibilidades infinitas para
[10]ser feliz: vivemos o tempo do coaching¹ generalizado e dos manuais de instruções para
a felicidade ao alcance de todos
Deveremos congratular-nos com essa inflação de solicitude, com todas essas
promessas de plenitude? Numa obra recente, Pascal Brukner defende que, por termos
feito da felicidade um ideal supremo, esta se tornou um sistema de intimidação, uma
[15]“imposição assustadora” de que todos somos vítimas. Desse modo, o direito à
felicidade transformou-se num imperativo de euforia que gera vergonha ou mal-estar
naqueles que dele se sentem excluídos. No regime da “felicidade despótica”, os
indivíduos já não se sentem apenas infelizes, mas sofrem ainda com a culpabilidade de
não se sentirem bem.
[20]Essa análise encerra, inegavelmente, uma parte de verdade: chama justamente a
atenção para a nova pressão exercida pelo ideal de desenvolvimento pessoal sobre as
formas de apreender e julgar a nossa vida. […] Mas será que essa interpretação vai ao
fundo das coisas? Não é essa a minha convicção.

[25]Imaginemos, por um momento, o nosso mundo liberto da “tirania” da felicidade. Seriam
os homens, então, verdadeiramente mais felizes? É lícito duvidar. Não sofremos porque
um mecanismo perverso nos convenceu de que era preciso ser feliz: o insucesso, a
solidão, as mágoas sentimentais, o tédio, a pobreza, a doença, a morte dos que nos
são próximos, todas estas experiências comportam infelicidade, independentemente de
[30]qualquer imposição ideológica e do “dever de felicidade” em particular. Logo que o
indivíduo se emancipa das imposições comunitárias, a sua demanda irresistível da
felicidade condena-o a uma existência problemática e insatisfatória: tal é o destino do
indivíduo socialmente independente que, sem suporte coletivo e religioso, enfrenta
sozinho e vulnerável as provas da vida.
Coaching é uma nova profissão. Trata-se de uma assessoria pessoal e profissional que combina prática e procedimentos distintos, visando a dar suporte às pessoas para que criem uma vida ideal. O processo de coaching leva o cliente a novos entendimentos, alternativas e opções capazes de fazer com que ele amplie suas realizações e conquistas.
Leia estes trechos extraídos do texto 1.
I. “Imaginemos, por um momento, o nosso mundo liberto da ‘tirania’ da felicidade.” (linha 25)
II. “Seriam os homens, então, verdadeiramente mais felizes? É lícito duvidar. (linhas 25 e 26)
III. “Mas será que essa interpretação vai ao fundo das coisas? Não é essa a minha convicção.” (linhas 22 e 23)
O autor expressa opinião nos trechos
a)I e II apenas.
b)II e III apenas.
c)I e III apenas.
d)I, II e III.
Não entendi Porque a resposta é a letra D e não a letra B


#2

Oi, @Eliel_Barbosa. É, de fato, uma questão um pouco confusa.

O enunciado pede para que você identifique onde há inserção de opinião do autor nas frases. Veja que, no número I, ele propõe algo ao leitor, que se baseia na criação de um ideário onde o mundo esteja liberto da “tirania da felicidade”. Se ele propõe esse tipo de reflexão, é possível inferir que há uma proposição de cunho opinativo.


#3

Bem complexa essa questão, entendi man, Vlw :smile: