Literatura Informativa


#1

Minha dúvida é a respeito do Gab da questão… no caso na literatura informativa os Povos Brancos tinham uma visao europeia do Brasil correto ? em vista disso uma visão europeia visava PRINCIPALMENTE aos bens materias para serem explorados… Não deveria ser a letra “E” ? se alguem puder ajudar a entender, muito obrigado ! GAB - C

A literatura informativa, que esteve presente nos
primeiros tempos da colonização brasileira, pode ser
definida como:
a) obras catequéticas dirigidas aos índios.
b) busca de emancipação da influência portuguesa.
c) descrição dos costumes dos povos da terra.
d) confirmação do paganismo dos primeiros colonizadores
e) descrição do muito ouro e da muita prata existentes no Brasil

gab - c


#2

Oi, Felipe, tudo bem? :slight_smile:

Nessa questão é necessário relembrar alguns pontos da história. No início da colonização, Portugal não achou ouro e prata, tanto que o Brasil permaneceu levemente abandonado. O primeiro produto a ser extraído no Brasil foi o pau-brasil, posterior a ele tivemos o ciclo do açúcar e só depois a mineração.
Esse deslumbramento com ouro e prata existentes ocorreu na colonização espanhola e creio que colocaram isso na letra E na tentativa de confundir.

Espero que tenha te ajudado! :blush:


#3

Boa noite.
Apenas para complementar a colega Camila, a literatura informativa não tem um cunho ECONÔMICO, por mais que o período das grandes navegações tenha sido com este fim. A literatura informativa (e como bem disse a Camila, estamos falando aqui de Brasil, não América Espanhola), é um período bem curto, que veio com um único fim: registrar o que existia no Brasil, seja minério, fauna, flora, povo ameríndio brasileiro, como esse povo se vestia (ou não se vestia), se eles acreditavam em Deus ou não, como se portavam, qual era sua língua.

Enfim, é um tipo de literatura totalmente DESCRITIVA, o exemplo mais claro disso é a Carta de Pero Vaz de Caminha. Segue trecho que ilustra bem:

" Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma"

Pode ver que ele não está preocupado apenas com minério, na realidade, bem longe disso kkkk

Espero ter dado ajudado também. Boa sorte nos estudos sz


#4

Oi, Heloísa, tudo bem? :blush:

Vou deixar um trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha que fala sobre a ausência de ouro e prata, porém aqui tudo se plantando dá (famosa frase)

“Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre Doiro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.

Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo , por bem das águas que tem.”

Entendo que a literatura informativa tem como foco principal, a descrição da terra nova (costumes, climas, nativos e etc), porém na minha opinião também era de interesse informar a existência ou não de possíveis fontes lucrativas, afinal era esse o maior interesse da coroa (o que também não deixa de ser uma descrição da terra). Eu não excluiria totalmente essa parte.

Enfim, vim apenas complementar. Posso tentar pesquisar no meu Alfredo Bosi, pois me recordo de ter uma parte que ele explica isso, porém ele está guardado junto com meus livros agora que estou de férias.:laughing:

Espero que não se incomode com minha observação. :blush:


Em Oculto: Trechos História Concisa da Literatura Brasileira de Alfredo Bosi

Sobre a carta de Pero Vaz de Caminha

“O que é para a nossa história significou uma autêntica certidão de nascimento, a Carta de Caminha a D. Manuel, dando notícia da terra achada, insere-se em um gênero copiosamente representado durante o século XV em Portugal: a literatura de viagens ( 4 ) . Espírito observador, ingenuidade ( no sentido de um realismo sem pregas ) e uma transparente ideologia mercantilista batizada pelo zelo missionário de uma cristandade ainda medieval: eis os caracteres que saltam à primeira leitura da Carta e dão sua medida como documento histórico.”

Agora sobre os textos de Giuliano Gliozzi (o mesmo autor daquele texto que fala que a língua tupi carecia de três letras)

“A História termina com uma das tônicas da literatura informativa: a preocupação com o ouro e as pedras preciosas que se esperava existissem em grande quantidade nas terras do Brasil, à semelhança das peruanas e mexicanas. E, espelho de toda a mentalidade colonizadora da época.”

Agora sobre os textos de a Gabriel Soares de Sousa e Pero de Magalhães Gândavo:

“Partilha com Gândavo o objetivo de informar os poderes da Metrópole sobre as perspectivas que a colônia oferecia, acenando igualmente, ao cabo do livro, com as minas de ouro, prata e esmeralda, por certo aquela mítica Vupabuçu ( “alagoa grande” ) em cuja procura acharia a morte. Mas é muito mais vário e sugestivo que o autor da História da Província de Santa Cruz.”

Agora, ao final da literatura informativa leiga, temos os jesuítas:

Essa sim utiliza essa parte descritiva do ambiente e, principalmente, dos nativos. Vale ressaltar a literatura feita por José de Anchieta para descrever o Planalto de Piratininga. Além de muitos versos escritos em tupi.

Eu utilizei o Alfredo Bosi como referência porque ele é o autor mais utilizado nas provas de vestibulares (junto ao Antonio Candido) e creio que seja importante uma vez que a maioria de nós está prestando essas provas. Além disso, em seu livro ele também usa como referência Sérgio Buarque de Holanda e alguns autores europeus que também estudaram esse período.


#5

Concordo plenamente que o interesse do português que veio para o Brasil tinha sim interesse econômico, mas a literatura de informação (posso estar equivocada), existiu com fim de puramente descrever as descobertas no sentido lato, porque era um lugar novo e não simplesmente novo, aos olhos deles, para muitos, visto como um paraíso no sentido estrito, o verdadeiro éden terreno. Mas na questão apontada pelo colega, me parece muito que não Se importa em nada com todo o resto e puramente o viés econômico. Outro ponto que tu tocou muuito importante, é exatamente não haver indícios de prata ou ouro em território br, nesse primeiro momento de “descoberta”, tanto que o primeiro ciclo foi de pau Brasil.

Tu sabe se da pra achar fácil esse livro, sobre literatura de informação, fisico? Ele é Nível ensino médio ou superior? v:


#6

Oi, Heloísa, tudo bem? :slight_smile:
Novamente, peço desculpas caso a minha observação tenha te incomodado. Eu só fiz porque eu sempre tento pensar nos alunos que perguntam e fiquei com medo do Felipe (ou outros alunos que possam ler) descartar qualquer alusão aos minérios (ou à falta deles).

Sobre o livro: é facilmente encontrado em livrarias e até em sebos (por aqui pelo menos eu encontro). O professor do meu antigo cursinho recomendou para nós que temos provas específicas discursivas de literatura, mas é um livro que eu acredito que tenha mais utilidade para consulta e familiarização com o vocabulário (esse autor é muito utilizado por aqui) do que como única fonte de estudo para vestibular, pois é um livro de ensino superior. Eu acho o estilo dele similar ao História Concisa do Brasil do Boris Fausto. Ele não é sobre literatura de informação apenas, ele é um livro sobre a Literatura Brasileira (ressalto isso porque você não encontrará algumas escolas nele e nem literatura Portuguesa). A literatura de informação tem um espaço bem reduzido nele.


#7

Vou dar uma olhada nos sebos daqui de cwb, acho bacana estudar por material externo dessa natureza, geralmente são deles que os professores elaboram as provas para vestibulares e o enem :wink:
Quanto a tua observação, relaxe, não me incomodou, acho que é sempre importante tentarmos aparar todas as arestas, sejam elas quais forem kkk
abraço