Naturalismo no Brasil

(Ufsm 2015) Bom-Crioulo não pensou em dormir, cheio, como
estava, de ódio e desespero. […]
Amigado, o Aleixo! […] Amigar-se, viver com uma mulher, sentir o
contato de outro corpo que não o seu, deixar-se beijar, morder, nas
ânsias do gozo, por outra pessoa que não o Bom-Crioulo!..
Agora é que tinha um desejo enorme, uma sofreguidão louca de
vê-lo rendido, a seus pés […] As palavras de Herculano (aquela
história do grumete com uma rapariga) tinham-lhe despertado o
sangue, fora como uma espécie de urtiga brava arranhando-lhe a
pele, excitando-o, enfurecendo-o de desejo. […] Não, não era
somente o gozo comum, a sensação ordinária, o que ele queria
depois das palavras de Herculano: era o prazer brutal, doloroso,
fora de todas as leis, de todas as normas…
Fonte: CAMINHA, 2002. p. 108-109.
No trecho destacado, predominam as seguintes características da
narrativa de Adolfo Caminha:
a) a temática da sexualidade e a análise detalhista do meio.
b) a temática da sexualidade e a prevalência do instinto sobre a
razão.
c) a prevalência do instinto sobre a razão e a análise detalhista do
meio.
d) a corrupção moral e religiosa e a análise social da personagem.
e) a temática da sexualidade e o dilema ético do protagonista.
Gab: b(não sei se esse gabarito é oficial mas foi o único que eu achei)
PS: Não concordo com o gabarito que eu achei, e acho que a certa é letra A, porém não tenho tanta certeza

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@Xamntofwords O naturalismo bate muito nessa tecla do caráter animalesco do Homem, do seu instinto primitivo. No caso do texto,isso está mais do que explícito, pois retrata esse desejo animal do personagem. Não creio que seja uma análise detalhista do meio, afinal que meio seria esse ? o ambiente ou o corpo humano ? A única referência de natureza está na urtiga, mas mesmo assim é uma comparação a toda essa excitação descrita. Sempre foque no tema principal do texto, ás vezes pode ocorrer mais de uma correta, no entanto, o texto principal nos dá o caminho. O que não seria o caso aqui, já que está tudo claro, pelo menos pra mim.
Espero ter ajudado :slight_smile:

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boa análise, @Francisco_Kaio! concordo com você! Não vejo uma análise detalhista do meio (como o Aluísio de Azevedo faz em Cortiço, por exemplo).

Vou deixar um trecho de uma resposta minha antiga que dá para ver essa análise detalhista do meio:

"Agora, sobre a descrição: eu tento analisar se ele fica “adjetivando” muito o que está ocorrendo. Talvez não seja a maneira certa, mas pensando na Fuvest, que gosta de comparar estilo de autores, eu penso na diferença que seria ao comparar com O Cortiço.
Chega a ser cansativo o tanto que ele descreve e, como dizem, chega a parecer um quadro de tão nítido que fica. (Falam que o Aluísio não teve talento suficiente para ser pintor e por isso pintava seus livros, não sei se é só fofoca, mas enfim HAHAH)

Separei alguns trechos de O Cortiço:

“A negra, imóvel, cercada de escamas e tripas de peixe, com uma das mãos espalmada
no chão e com a outra segurando a faca de cozinha”

“A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e
punha lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no
lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez
grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas.”

Não sei você, mas eu consigo imaginar o que está ocorrendo, parece bem detalhado."

resposta que usei esse trecho que está em itálico: Fuvest - Machado de Assis

só complementando!

Caso tenha alguma dúvida, Larissa, basta nos falar! Sobre esse assunto, eu, particularmente, gosto muito e, até por isso, resolvi complementar.

Espero que tenhamos te ajudado! :relaxed:

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