Simbolismo o palhaço

Pq letra A, não entendi

Boa tarde, @Raian_Nunes!
Achei esse poema bem pesado… mas vamos analisá-lo!

Gargalha, ri, num riso de tormenta (1),
como um palhaço (2), que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta (3).

Da gargalhada atroz, sanguinolenta (4),
agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta (5)

Pedem-te bis e um bis não se despreza! (6)
Vamos! reteza os músculos, reteza
nessas macabras piruetas d’aço…

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente (7),
ri! Coração, tristíssimo palhaço. (8)

Bem… analisando o poema e, principalmente, os trechos destacados, podemos ver que se trata de uma história que, apesar de pequena, revela extremas angústias e amarguras existenciais, chegando a apelar para a representação de uma dor física!

O poema nos conta a história de uma pessoa qualquer, representando-a como um palhaço (referência 2), justamente para representar sua anonimidade e sua crise emocional-existencial, uma vez que um palhaço encontra-se sempre ‘‘sob uma máscara’’, sempre sorrindo, não importando sua real situação.
A personagem, de acordo com o poema, faz questão, talvez por medo ou insegurança, de que não saibam de sua constante degradação psicológica (referências 1, 3, 4 e 5), escondendo-a à qualquer custo, simplesmente fingindo ‘‘que tá tudo bem’’ (referência 6).
Contudo, todo esse acúmulo depressivo somado a essa tentativa ininterrupta de persistir às doenças, tentando passar despercebido, faz com que, inevitavelmente, ele ‘‘exploda’’ em dor e sofrimento, ‘‘caindo sobre o chão’’ (referências 7 e 8), afogando-se em seu próprio sangue.

Assim, analisando as alternativas:

A. As imagens de “palhaço” e “coração” apontam a um mesmo significado, o próprio homem, apresentado como um ser cuja imagem de alegria apenas disfarça tristezas, dores, sofrimentos.
Verdadeiríssimo, né?! A alternativa fala exatamente daquilo que vimos no poema… um cara qualquer que vive omitindo suas angústias até não aguentar mais e acaba ‘‘morrendo’’ em depressão.

B. O “palhaço” é comparado com o “acrobata” que caiu, donde a ocorrência de imagens relacionadas com sangue e dor.
Bem… primeiro que a dor que o poema cita não é propriamente física, né? O poema deixa a entender que é uma amargura emocional-espiritual tão grande que pode ‘‘até ser sentida na pele’’, mas não é física, propriamente dita. Sem falar que é a figura do palhaço que é comparada às pessoas, e não à do acrobata (que aparece como um sinônimo de um indivíduo circense).

C. O poema de Cruz e Sousa constitui uma alegoria da vida circense em todos os seus aspectos.
Como já vimos, não é uma alegoria DA vida circense, mas o poema usa elementos próprios do circo para representar uma condição emocional-espiritual, que pode ser verificada em qualquer indivíduo (por isso a figura do palhaço).

D. É tradicional na literatura explorar o tema do palhaço sob os vieses da superação e da frustração.
Bem, primeiro que ele não supera nada aí… é uma constante acumulação de decepções que levam o ‘‘palhaço’’ a um estado decadente.
Além disso, ‘‘tradicional’’ nos remete à ‘‘tradição’’… o poema poderia até ser tradicional se ele seguisse a lógica estrutural de uma obra realista, por exemplo, mas se trata de um poema simbolista (o simbolismo é conhecido por romper com a tradição realista-naturalista da época, voltando aos moldes românticos)… e nunca foi muito tradicional falar de palhaços, né?! KKKKKKKK.

E. Os poetas simbolistas tinham uma tendência doentia a utilizar temas relacionados com dor, sangue e sofrimento.
Rapaz… assim, eu não vou mentir, não… os simbolistas até que falavam bastante sim de assuntos bem próximos a esses, mas era uma tendência mais espiritual, entende?
Os simbolistas, como o próprio nome diz (símbolos), nunca foram muito de usar a violência carnal e física, representada pelo sangue… eles tendem mais a falar sobre assuntos sublimes, espirituais mesmo, fantasmagóricos, ocultos, etc… e também fica meio feio dizer que era uma ''tendência doentia", né não? KKKKKKKK.

Espero ter ajudado!