Gramsci faz parte de uma geração que acreditava que a política, e mais propriamente o partido, tem uma função específica, qual seja, a capacidade de compreender e organizar coletivamente as vontades individuais. Sua organicidade estaria calcada em valores partilhados por todos e conseguiria, inclusive, orientar a conduta das pessoas. O partido seria o Príncipe dos tempos modernos, o centro de irradiação de uma “grande narrativa”, apreenderia o mundo na sua totalidade, ressignificando-o e conferindo-lhe inteligibilidade. No texto seminal de Octávio Ianni, O príncipe eletrônico – um diálogo com Gramsci e Maquiavel –, constatamos que no mundo contemporâneo o papel que cabia ao partido, de organizador da vontade coletiva, em parte se esgotou (não inteiramente) e se restringiu; que uma outra dimensão social, a mídia e o universo do entretenimento, deslocou sua primazia anterior.
ORTIZ, R. Notas sobre Gramsci e as ciências sociais. RBCS Vol. 21 nº. 62 outubro/2006.
A perspectiva de Gramsci sobre o papel dos partidos políticos foi contestada a partir da seguinte argumentação: